Sejam Bem Vindos!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Educação em Decadência - 06/12/2012 Tom Coelho

 “Só a educação liberta.” (Epicteto)

O índice de reprovação no exame anual da Ordem dos Advogados do Brasil, em São Paulo, tem atingido a impressionante marca de 90%.

Realizado em duas etapas, tais resultados ilustram com louvor a decadência do ensino em nosso país.

A primeira parte é composta por cem testes de múltipla escolha, na qual apenas um em cada dez candidatos supera a medíocre nota de corte de 46 acertos.


A segunda, por sua vez, é formada por questões discursivas, nas quais erros crassos de conjugação verbal, ortografia, coesão e coerência textuais, entre outros, são identificados,

O crescimento do ensino superior na década de 1990 é inegável.


Foram ampliados na abrangência dos cursos, na oferta de vagas e no número de alunos matriculados. Porém, muita quantidade para pouca qualidade.

Estamos formando advogados que desconhecem leis, economistas que não sabem matemática financeira, engenheiros com dificuldades em cálculos estruturais.

Pseudoprofissionais que irão cercear a liberdade de um cliente, condenar uma empresa à falência, levar um edifício ao chão.

No anseio de se apresentar estatísticas que denotem evolução no sistema educacional, mediante elevação do número de graduados e redução do número de analfabetos, os indicadores mascaram os fatos.

Assim, basta escrever o nome para ser incluído na categoria dos alfabetizados, ainda que se tenha um vocabulário restrito a umas poucas palavras.

Basta um diploma conquistado mais pelo suor do trabalho para se pagar as mensalidades ao longo de alguns anos do que pelo conhecimento adquirido para ser alçado ao time dos “doutores”.

A gênese de nossos problemas reside no ensino fundamental, para o qual há dotação orçamentária prevista constitucionalmente, embora os recursos cheguem minguados às salas de aulas, pois se perdem no decorrer dos descaminhos políticos e burocráticos.

Falta remuneração adequada aos professores, falta-lhes incentivo à reciclagem profissional, falta rigor no ensino.

A língua portuguesa é violentada a cada frase pronunciada, a cada expressão escrita.

Falamos e escrevemos mal porque lemos pouco.

Matemática é rotulada como disciplina difícil, produzindo um exército de cidadãos vilipendiados pela indústria dos juros.

História é tida como dispensável, cultivando a brevidade da memória política que nos assola, consequência da incapacidade de se associar fatos.

Inglês é introduzido na grade curricular cada vez mais precocemente, porém a iniciativa é inútil, haja vista que a metodologia forma mestres no verbo “to be”, após muitos anos de estudo, quando seria desejável o domínio de um vocabulário mínimo e de capacidade de comunicação.

Nossos atuais conflitos éticos e morais, os eventos políticos, a fragilidade econômica, as desigualdades sociais, a subserviência institucional e a crise de identidade cívica são filhos bastardos de nossa inépcia em reconhecer a relevância da Educação na construção de um projeto de nação.

Pena que dá trabalho pensar, elaborar, construir e esperar 20 anos para ver as sementes florescerem.

Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos através do e-mail:tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.


Teste seu cérebro


Foi descoberto que o nosso cérebro tem um Bug. Aqui vai um pequeno
exercício de cálculo mental ! Este cálculo deve fazer-se mentalmente e rapidamente, sem utilizar calculadora nem papel e caneta! Seja
honesto com você mesmo e faça os cálculos apenas mentalmente.
 

Você tem 1000, acrescenta-lhe 40. Acrescenta mais 1000. Acrescenta mais 30 e novamente 1000. Acrescenta 20. Acrescenta 1000 e ainda 10. Qual é o total ?

O teu resultado = 5000

A resposta certa e 4100 !!!!

Se não acreditar, verifique com a calculadora. O que acontece é que a sequência decimal confunde o nosso cérebro, que salta naturalmente para a mais alta decimal (centenas em vez de dezenas).

Agora comente ! Qual foi seu resultado ?



O número Pi

...Na matemática, π é o número que representa a quociente entre o perímetro de uma circunferência e o seu diâmetro; por outras palavras, se uma circunferência tem perímetro p e diâmetro d, então aquele número é igual a p / d.

...É representado pela letra grega π. A letra grega π (lê-se: pi), foi adotada para o número a partir da palavra grega para perímetro, "περίμετρος", provavelmente por William Jones em 1706, e popularizada por Leonhard Euler alguns anos mais tarde. Outros nomes para esta constante são constante circular, constante de Arquimedes ou número de Ludolph.

...O valor de π
...pertence aos números irracionais. Para a maioria dos cálculos simples é comum aproximar π por 3,1, 3,14 e 3,1416.

...Uma boa parte das calculadoras científicas de 8 dígitos aproxima π por 3,1415927. Para cálculos mais precisos pode-se utilizar com 25 casas decimais.
...Para cálculos ainda mais precisos pode-se obter aproximações de π através de algoritmos computacionais.




Porcentagem divertida


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Um plano para salvar o planeta


O Bicho



Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A história dos Três Porquinhos (Recontada por um engenheiro…)


O filho quer dormir e pede ao pai (engenheiro) para lhe contar uma história, o pai logo se prontificou e lhe contou a dos três porquinhos.
Meu Filho, era uma vez três porquinhos (P1, P2 e P3) e um Lobo Mau, por definição, LM, que os vivia atormentando. P1 era sabido, fazia Engenharia Mecatrônica e já era formado Engenheiro Civil e Tecnólogo Mecânico. P2 era arquiteto e vivia em fúteis devaneios estéticos absolutamente desprovidos de cálculos rigorosos. P3 fazia Comunicação e Expressão Visual.
LM, na Escala Oficial da ABNT, para medição da Maldade (EOMM) era Mau nível 8,75 (arredondando a partir da 3ª casa decimal para cima). LM também era um mega investidor imobiliário sem escrúpulos e cobiçava a propriedade que pertencia aos Pn (onde “n” é um número natural e varia entre 1 e 3), visto que o terreno era de boa conformidade geológica e configuração topográfica, localizado próximo a Granja Viana.
Mas nesse promissor perímetro P1 construiu uma casa de tijolos, sensata e logicamente planejada, toda protegida e com mecanismos automáticos. Já P2 montou uma casa de blocos articulados feitos de mogno que mais parecia um castelo lego tresloucado. Enquanto P3 planejou no Autocad e montou ele mesmo, com barbantes e isopor como fundamentos, uma cabana de palha com teto solar, e achava aquilo “o máximo”.
Um dia, LM foi ate a propriedade dos suínos e disse, encontrando P3:- “Uahahhahaha, corra, P3, porque vou gritar, e vou gritar e chamar o Conselho de Engenharia Civil para denunciar sua casa de palha projetada por um formando em Comunicação e Expressão Visual!” Ao que P3 correu para sua amada cabana, mas quando chegou lá os fiscais do Conselho já haviam posto tudo abaixo. Então P3 correu para a casa de P2.
Mas quando chegou lá, encontrou LM à porta, batendo com força e gritando:- “Abra essa porta, P2, ou vou gritar, gritar e gritar e chamar o Greenpeace, para denunciar que você usou madeira nobre de áreas não-reflorestadas e areia de praia para misturar no cimento.” Antes que P2 alcançasse a porta, esta foi posta abaixo por uma multidão ensandecida de ecos-chatos que invadiram o ambiente, vandalizaram tudo e ocuparam os destroços, pixando e entoando palavras de ordem. Ao que segue P3 e P2 correm para a casa de P1. Quando chegaram na casa de P1, este os recebe, e os dois caem ofegantes na sala de entrada.
P1: O que houve?
P2: LM, lobo mau por definição, nível 8.75, destruiu nossas casas e desapropriou os terrenos.
P3: Não temos para onde ir. E agora, que eu farei? Sou apenas um formando em Comunicação e Expressão Visual!
Tum-tum-tum-tum-tuuummm!!!! (isto é somente uma simulação de batidas à porta, meu filho! O som correto não é esse).
LM: P1, abra essa porta e assine este contrato de transferência de posse de imóvel, ou eu vou gritar e gritar e chamar os fiscais do Conselho de Engenharia em cima de você!!!, e se for preciso até aquele tal de Confea.
Como P1 não abria (apesar da insistência covarde do porco arquiteto e do… do… comunicador e expressivo visual) LM chamou os fiscais, e estes fizeram testes de robustez do projeto, inspeções sanitárias, projeções geomorfológicas, exames de agentes físico-estressores, cálculos com muitas integrais, matrizes, e geometria analítica avançada, e nada acharam de errado. Então LM gritou e gritou pela segunda vez, e veio o Greenpeace, mas todo o projeto e implementação da casa de P1 era ecologicamente correto.
Cansado e esbaforido, o vilão lupino resolveu agir de forma irracional (porém super-comum nos contos de fada): ele pessoalmente escalou a casa de P1 pela parede, subiu ate a chaminé e resolveu entrar por esta, para invadir. Mas quando ele pulou para dentro da chaminé, um dispositivo mecatrônico instalado por P1 captou sua presença por um sensor térmico e ativou uma catapulta que impulsionou com uma força de 33.300 N (Newtons) LM para cima.
Este subiu aos céus, numa trajetória parabólica estreita, alcançando o ápice, aonde sua velocidade chegou a zero, a 200 metros do chão. Agora, meu filho, antes que você pegue num repousar gostoso e o papai te cubra com este edredom macio e quente, admitindo que a gravidade vale 9,8 m/s² e que um lobo adulto médio pese 60 kg, calcule:
a) o deslocamento no eixo “x”, tomando como referencial a chaminé.
b) a velocidade de queda de LM quando este tocou o chão e
c) o susto que o Lobo Mau tomou, num gráfico lógico que varia do 0
(repouso) ao 9 (ataque histérico).
Resposta:
a) Sendo X o deslocamento horizontal, e a catapulta o tendo arremessado verticalmente para cima, a soma dos vetores demonstra que X=0. O advento de uma força externa, como o vento lateral poderia influir nesse valor, mas tais condições não foram abordadas no caso.
b) Para essa solução, usaremos: s = s0 + v0 * t+ 1/2 * a * t2
v = v0 + a * t. A altura declarada atingida é de 200m e nesse ponto temos v = 0m/s. Para os cálculos de velocidades, a massa não é necessária, como todos sabemos. Dado g=9,8 m/s2; | 200 = 0 + v0 + 1/2 * 9,8 * t2; | 0 = v0 + 9,8 * t
Resolvendo esse sistema com duas equações e duas variáveis, temos: t= 21,4s e v0 = 210m/s
c) O LM chega ao pico na escala de susto após perceber que foi projetado para cima. Quando a velocidade vetorial reduz, o LM tem a sensação de alívio, pois não está mais subindo. Após parar (instante t1), o início da queda o remete novamente à situação máxima de susto. O índice de susto cai abruptamente a 0 assim que ele toca o solo, virando PLM (pasta de lobo mal).
Fonte: novaeducacao@yahoogrupos.com.br

Poesia da matemática


Canção da trigonometria


9 maneiras de ser um professor mais eficiente

1. SÃO OS ALUNOS QUE IMPORTAM

Alguns professores sentem-se extremamente orgulhosos de seus cargos. E dá até para entender a razão. Afinal, são anos e anos de pesquisas e estudos para estar ali, naquela sala de aula. E agora aqueles alunos seriam os sortudos que iriam beber da sabedoria dele por todo ano letivo. Aqueles que pensam assim estão construindo uma imensa barreira entre eles, os estudantes e o aprendizado. Os melhores mestres vêem a si mesmos como guias. Eles compartilham o que sabem, porém entendem que eles não são o foco principal daquela sala de aula. Seus discípulos o são. Não se deve perguntar "o que eu vou fazer hoje", mas sim "o que eu espero que meus alunos façam/aprendam hoje". O planejamento do dia fica muito mais fácil.

2. ESTUDE OS ESTUDANTES

Imagine um professor entrando em sala de aula dizendo: - Bom, abra seu livro na página... na página que vocês encontrarem essa matéria. Nada pior para a imagem, não é mesmo? Se é importante conhecer o material didático, imagine entender seus alunos. Que, ao contrário dos livros, não são feitos em série. Cada um possui uma particularidade, algo que o faz único. É fácil imaginar que é complicado descobrir o que cada um deseja, o que motiva seus estudantes. Mas faça uma analogia. Imagine que um amigo que mora longe lhe telefona. Ele diz que está em sua cidade e quer fazer-lhe uma visita, como se chega em sua escola? Qual a pergunta que você faz nessa situação? - Você está perto do quê/em que rua? Logo em seguida, pergunta se ele está a pé ou de carro. A partir daí, pode indicar o caminho certo para se encontrarem. Da mesma forma, seus alunos. Se você quer que eles tenham aprendido alguma coisa no final do ano, primeiro descubra onde estão, quais os recursos que possuem.

3. SE VOCÊ QUER QUE ELES SE ARRISQUEM, OFEREÇA SEGURANÇA

Parece estranho, mas aprender pode ser uma atividade desconfortável. Os discentes têm que descobrir o que eles não sabem, jogar fora muito daquilo que eles achavam que sabiam. Brasílio NetoPor isso, crie um ambiente de segurança. Iluminação e cores corretas ajudam, além de diversos outros detalhes ao alcance do professor: A - Decore as paredes com os trabalhos dos alunos, ou fale sempre nos exemplos e nos casos que eles trazem para sala. A idéia é fazer com que a sala de aula seja um lugar que pertença a eles, alunos. B - Da mesma maneira, crie um pequeno ritual para início de aula. Pode ser algo simples, como entrar e dar bom dia de determinada maneira, ir até um ponto da sala e sorrir. Com isso, os alunos percebem, inconscientemente, que eles estão em terreno conhecido e que não há o que temer.

4. VULNERABILIDADE NÃO COMPROMETE A CREDIBILIDADE

Um professor não precisa ter todas as respostas. Se você disser "eu não sei", isso não significa que sua classe vai acreditar menos em você. Ao contrário, seus alunos irão admirá-lo ainda mais.

5. REPITA OS PONTOS IMPORTANTES

O norte-americano William H. Rastetter foi professor da Universidade de Harvard antes de ser chamado para dirigir uma grande empresa. Ele passa uma regra para seus colegas: "A primeira vez que você diz alguma coisa, as pessoas escutam. Se você fala uma segunda vez, as pessoas reconhecem aquilo; e se você fala uma terceira vez, elas aprendem." O desafio é fazer isso de forma que você não se torne chato ou repetitivo. Mude as palavras, passe conceitos através de exercícios e experiências. Use sua criatividade.

6. BONS PROFESSORES FAZEM BOAS PERGUNTAS

Fazer perguntas que se respondam com "certo" ou "errado" não estimula uma boa discussão em sala de aula. Procure fazer perguntas abertas. Por que isso funciona assim? Qual a razão dessa reação/atitude? E se fizéssemos de outra maneira?

7. ESCUTE MAIS DO QUE FALA

Ao lecionar, aquilo que você faz é tão importante quanto aquilo que você diz. E escutar o que seus alunos têm a dizer significa que você se importa com eles, que leva em consideração as idéias da classe. Permita momentos de silêncio em sala de aula, eles significam que o conhecimento está sendo processado. E lembre-se, nem sempre seus alunos se comunicam por palavras. Fique atento aos sinais não escritos, como olhares, movimentos, entre outros.

8. PERMITA QUE OS ALUNOS ENSINEM ENTRE SI

Você não é a única fonte de conhecimento disponível a seus alunos. Eles também aprendem entre si. Uma turma de alunos funciona como um triângulo de aprendizado, no qual o professor é apenas um vértice. Use essa força a seu favor. Dê a seus alunos pequenos textos, e peça que eles o interpretem entre si para responder uma questão. Naturalmente eles escutam mais uns aos outros para encontrar a solução mais adequada.

9. PAIXÃO E PROPÓSITO

O que faz a diferença entre um bom professor e um excelente professor não está nos cursos feitos, não aparece nas teses defendidas nem nas pesquisas feitas. Independe dos anos de profissão. É a paixão pelo lecionar, por estar ali, todos os dias. É algo que contagia os estudantes e que não pode ser fingido. Se você possui essa vontade para passar-lhes algum conteúdo, só falta informar-lhes o que deve ser aprendido. Faça com que todas as pessoas na sala de aula tenham um objetivo comum. Para que é necessário aprender aquilo? Exatamente o que a classe deve saber de novo até o final do ano?
Fonte: Rede Pitágoras

A Construção da Disciplina Escolar no Ensino Fundamental

No decorrer da história a educação passou por muitas transformações, indo desde o autoritarismo exagerado de alguns professores ao excesso de liberdade por parte de outros, o que pode ter dificultado em muitas vezes o bom desenvolvimento das aulas, influenciando diretamente no ato pedagógico da sala de aula e no processo ensino-aprendizagem, podendo ter provocado com isso a indisciplina escolar.
Em pleno terceiro milênio, estamos aprendendo a praticar a democracia, pois é inconcebível que, diante das avassaladoras transformações tecnológicas, científicas, sócio-políticas e culturais continuemos com uma forma arcaica, centralizadora e autoritária de fazer educação. Os tempos de hoje exigem valorização dos espaços escolares e autonomia para o crescimento dos mesmos. Por isso faz-se necessário implementar nas instituições educacionais a gestão escolar democrática onde professores, pais, alunos e funcionários possam manifestar seu pensamento, sugerir, questionar, participar e elaborar juntamente com os gestores educacionais as regras de boa convivência na sala de aula e na escola.
Freqüentemente, ouve-se muitos professores queixarem-se da indisciplina de seus alunos, reclamam que os educandos conversam paralelamente ao professor o tempo todo, que apresentam dificuldade para copiar, raciocinar, realizar as atividades, trazer o material, prestar atenção, atender ordens, que jogam-se bolas de papel uns nos e até mesmo no professor, colocam percevejo na cadeira onde o colega irá sentar-se, rasgam os trabalhos dos alunos do outro turno, fazem desenhos obscenos, escondem o material dos colegas ou colocam no lixo, passam “tranca”, respondem mal aos colegas e professores, e a partir daí surgem as seguintes indagações: agindo com mais rigidez, sendo autoritário, trabalhando de forma tradicional, se obterá mais disciplina na sala de aula?
Nesse sentido, questiona-se: de onde provém o problema da indisciplina? Do aluno, do professor, da metodologia utilizada, da sociedade? Quais são suas causas? Qual a melhor forma de se conseguir a disciplina desejada? Será através do autoritarismo, da imposição, de ameaças? Ou através do diálogo, da conscientização, do comprometimento, da elaboração coletiva das regras disciplinares da sala de aula e da escola?
VASCONCELLOS (1995, p. 41) nos diz que:
O educador, num primeiro momento, pode assumir a responsabilidade pela disciplina, enquanto articulador da proposta, levando no entanto a classe a assumí-la progressivamente.Tem como parâmetro não a sua pessoa (“autoridade”) mas as necessárias condições para o trabalho coletivo em sala de aula.
Observa-se que os alunos agem de forma diferenciada com os professores, com alguns são totalmente indisciplinados, com outros, prestam atenção, fazem silêncio, participam da aula, questionam, sugerem, enfim, há um relacionamento equilibrado, de interação e troca de conhecimentos. Para NIDELCOFF ( 1995) existem dois tipos de professores: o professorpolicial e o professor-povo. Para essa autora, o professor policial é aquele profissional autoritário, que pensa ser somente ele o possuidor do conhecimento, devendo os alunos ouví-lo, fazer silêncio, prestar atenção e apreender as informações repassadas. Devido a seu modo de ser, esse professor tolhe, impossibilita meios de o aluno se expressar, fazer opções, planejar e agir por conta própria, criando no aluno uma dependência muito grande em relação a ele no processo de aprendizagem.
Nesse sentido, NIDELCOFF (1995, p.66) afirma:
Esse “ dirigismo” significa, na prática, uma repressão da expressão. É,além disso, uma repressão da dúvida. Não porque a criança queira expressar-se e não lhe permitam fazê-lo. Nem também porque levanta dúvida e lhe neguem a resposta. Muito mais do que isso, não se dá à criança a possibilidade de expressar-se, nem a incentivam a fazê-lo.
Esse tipo de comportamento do professor em relação ao aluno, no sentido de
querer que esse faça exatamente o que ele, professor, deseja pode gerar no
educando insegurança e incapacidade para produzir sozinho, somando-se a
isso a indisciplina, que pode surgir devido ao autoritarismo e dirigismo em
excesso.
NIDELCOFF ( 1995, p.66), referindo-se ao aspecto disciplinar, assim se
expressa:
A disciplina é concebida como acatamento de ordens. Uma classe disciplinada é uma classe silenciosa ainda que sua “disciplina” seja totalmente dependente da punição ou da presença dos professores ou mesmo que sejam incapazes de trabalhar sozinhos. Essa “disciplina” é o culto por hábitos muito tradicionais na escola; as crianças a acatam como algo exterior e não porque foram educados dentro da solidariedade e da fraternidade, de modo a cumprirem de uma maneira autêntica essas atitudes de cortesia.
A autora comenta ainda que o tipo de trabalho em grupo realizado sob a coordenação do professor policial é um ato mecânico, ou seja, os alunos muitas vezes nem sabem porque e para que trabalham daquela forma. Nesses casos, na maioria das vezes as crianças não são orientadas a buscar uma forma de organizarem-se e de enfrentarem as dificuldades, pois o professor não coordena nenhum tipo de trabalho de auto-avaliação e auto-conhecimento de forma que os alunos venham tomar consciência de suas potencialidades e dificuldades. Como decorrência disso, a criança se sente solta, sem orientação, não sabe o que fazer nem como fazer, e pode acabar se desinteressando pelo trabalho procurando outras formas de preencher seu tempo, podendo fazê-lo através de conversas paralelas sobre assuntos não relacionados ao conteúdo, ou ainda jogando bolas de papel nos colegas, gritando, passando tranca nos outros, enfim, a indisciplina poderá ser instaurada a partir daí devido à falta de organização e orientação do educador.
Esse tipo de professor, para se sair bem da situação, acusa os alunos de mal educados, indisciplinados, manda alguns para direção, afirma que com aquela turma nenhum tipo de trabalho funciona, que já está cansado. Outro fator importante abordado por NIDELCOFF (1995) é que muitos professores não exigem das crianças o máximo de suas potencialidades, ou seja, aceitam trabalhos, respostas, cadernos, na medida em que cumpram o mínimo desejado. Esse fator também provoca indisciplina, pois o aluno faz tudo correndo para poder ficar livre do trabalho.
NIDELCOFF (1995, p.20) assim se refere ao professor povo
Ele não acredita que sua missão seja difundir entre o povo os valores do opressor; ao contrário, acredita que o sentido de seu trabalho é ajudar o povo a se descobrir, a se expressar, a se libertar. Quer construir a escola do povo, a partir do povo. Ou seja: “professor-povo é aquele que quer contribuir através do seu trabalho para a criação de homens novos e para a edificação de uma sociedade também nova, onde se dê primazia aos despossuídos e onde o povo se torne protagonista. Ele será um professor para modificar, não para conservar”.
Esse é o verdadeiro educador, comprometido, responsável, interessado em modificar o tipo de escola que fortifica as desigualdades sociais. Esse professor idealiza e trabalha em prol de uma escola que venha a atender os interesses e necessidades dos alunos. Defende uma escola para o povo e não apenas para encher de povo, uma escola que seja capaz de ajudar o aluno a ser disciplinado em todos os sentidos, a fim de que ele possa intervir na realidade e modificá-la.
Frente a isso, faz-se necessário que, nas Instituições Educacionais, onde existem vários profissionais e cada um tem a sua formação, seus valores, sua maneira de agir, pensar, haja o respeito a essa diversidade de pensamento procurando desenvolver ações coletivas a serem seguidas por todos na busca de um mesmo ideal.
CHALITA (2005, p.24) fala que nesse caso:
O professor deve ser como um maestro que rege os instrumentos , sabendo que cada um de seus alunos é diferente. Dessa forma, consegue desenvolver as três habilidades fundamentais: cognitiva (que é o conhecimento propriamente dito), social (que é essa relação interpessoal, a visão social de mundo e a cidadania) e afetiva (que é o emocional). Na dimensão afetiva, o aluno aprende a ser equilibrado.
Salienta-se também a necessidade e a importância dos gestores escolares serem bem preparados intelectualmente, cientes do seu papel ético e social, comprometidos com a construção de uma escola democrática e participativa que propicie aos alunos a formação da cidadania. Nessa perspectiva os gestores escolares devem planejar juntos, sugerir mudanças e implementar novas estratégias de ação comprometendo-se com a construção coletiva das regras disciplinares, envolvendo todos os alunos a fim de que esses também se sintam comprometidos e responsáveis pelo cumprimento das mesmas, para que a escola possa oferecer um ensino de qualidade à todos. Cabe ainda aos professores refletir que além das regras disciplinares, é necessário que os mesmos conquistem os alunos demonstrando respeito e estima por eles, valorizando seus esforços, suas atitudes, seus trabalhos, procurando estabelecer normas de convivência como, hora de conversar, de descansar, pois se o aluno for envolvido na elaboração e construção das regras disciplinares ele se sentirá comprometido e responsável por elas. É necessário que o professor organize e planeje muito bem suas aulas, usando uma metodologia adequada a fim de que os mesmos não caiam no expontaneísmo e no improviso dos conteúdos, procurando dessa forma atender as necessidades e expectativas de seus alunos, mostrando-lhes onde podem aplicar tais conteúdos no decorrer de suas vidas, dando significado ao que está sendo trabalhado.
A escola deve ser uma instituição séria, competente e qualificada, a qual deve ter como objetivo proporcionar os alunos, além do seu crescimento cognitivo, o resgate de valores e a preparação para cidadania, onde a conquista da disciplina desejada acontecerá no momento em que houver o entendimento de todos, que o cumprimento das normas estabelecidas pelo grupo, propiciará um ambiente favorável ao ensino-aprendizagem.
Nesse sentido, VASCONCELLOS (1995,p. 45) afirma que o educador necessita demonstrar autoridade nos domínios:
INTELECTUAL - ser capaz de refletir, não ser autoritário, dogmático, nem fechado; ser capaz de rever os pontos de vista; demonstrar inteligência no trato com a realidade, apreender o seu movimento, ir além do senso comum; ÉTICO - ter princípios, estabelecer parâmetros e ser coerente, revelar senso de justiça, apresentar traços de firmeza de caráter; tem compromisso com o bem comum; PROFISSIONAL - ser competente; ter domínio da matéria e da metodologia de trabalho; empregar com segurança os conceitos e técnicas ; ser interessado; demonstrar ânimo no que faz; preparar muito bem suas aulas; estar atualizado; HUMANO - ser capaz de perceber e respeitar o outro como pessoa.
De acordo com VASCONCELLOS(1995,p.47) : “ Existem básicamente duas formas de se conseguir disciplina: por coação (Educação Tradicional) ou por convicção (Educação Dialética Libertadora)”. Para o autor , a disciplina obtida por coação é baseada na punição como forma de ameaça e como prática efetiva. Esse tipo de disciplina leva o indivíduo a heteronomia (ser governado por outro), negando a autonomia. Esse tipo de disciplina proporciona a formação de indivíduos dependentes e imaturos, com poder de criatividade muito baixo, não sabendo diferenciar certo e errado, ao mesmo tempo que não cultivam valores, pois sempre alguém deverá lhes dizer o que devem fazer. A disciplina obtida por convicção é aquela em que o aluno se dá por conta, com auxílio do professor , que agiu errado e acaba admitindo seu erro.
VASCONCELLOS (1995,p.50) afirma que:
[...] a prática de obtenção sistemática de disciplina por convicção leva à formação de uma personalidade forte, madura, que vai sabendo o que quer, o que é certo e errado, e lutando por isso; leva a auto confiança, ao senso comunitário, à criatividade e à verdade.
O professor deve possibilitar ao aluno participar da elaboração das regras disciplinares da sala de aula de modo que esse venha a acreditar nelas, sentindo-se comprometido pelo cumprimento das mesmas, a fim de que haja um ambiente favorável, próprio, agradável e harmonioso ao desenvolvimento da aprendizagem.
Só se conseguirá a disciplina desejada no momento em que se trabalhar de forma coletiva na escola, num processo em que todos os professores tenham uma mesma linha de ação, orientando o aluno, para que se torne responsável pela sua própria aprendizagem e pelo seu sucesso escolar. Daí advém a importância de a escola construir seu projeto político pedagógico com a participação de toda comunidade escolar (professores, gestores escolares, pais, alunos, equipe técnica e de apoio, representantes religiosos e associações comunitárias), procurando estabelecer objetivos, metas, fins, ou seja, parâmetros comuns para a instituição, onde todos sintam-se responsáveis pela execução e elaboração do mesmo. Ainda VASCONCELLOS(1995) nos diz que, existem dois tipos de indisciplina: uma ativa que gera “bagunça” e outra passiva , que é aquela em que o aluno até faz silêncio, fica quieto, porém o educador não consegue estabelecer interação com o educando.
Nesse sentido MARQUEZAN (1999,p.113) propõe:
Para se estabelecer um relacionamento de entre-ajuda professor/aluno é fundamental atitudes como: dar atenção a todos os alunos; olhar para todos; escutar cada um; elogiar e motivar as mudanças positivas; questionar opiniões; aproximar-se de cada um; compreender e estimular a mudança dos anciosos, dos indiferentes, dos descontentes; valorizar suas realizações, ainda que pareçam insignificantes; acreditar no imenso potencial que cada ser humano traz dentro de si e que pode ser despertado através das relações interpessoais mediadoras, desafiadoras, reflexivas, críticas e transformadoras.
Sabe-se que não existe receita do que fazer para conseguir disciplina, porém,
através da leitura de diversos autores, percebe-se que é necessário, entre
outras coisas, que o professor:
Tenha um planejamento bem elaborado da aula que pretende desenvolver, sendo este sujeito a flexibilidade
Varie a metodologia, utilizando-se de atividades envolventes e diversificadas, evitando a rotina, realize trabalhos em grupo, em dupla, trabalhos práticos e teóricos
Caminhe pela sala de aula para ver se todos os alunos estão trabalhando e assim orientá-los, interagindo com eles na realização das atividades e evitando, aglomerações ao redor de sua mesa
Dê atenção à todos, valorizando seu esforço e a realização das atividades
Saliente os aspectos positivos da turma
Dialogue franca e abertamente com os alunos, procurando resolver os problemas primeiramente em sala de aula
Defina com os alunos as regras disciplinares da sala de aula, os objetivos recíprocos de sucesso e avanço, de forma que haja conscientização e o comprometimento de todos na execução e no cumprimento das regras
Forme parcerias, criando dimensões de fraternidade e desenvolva ações participativas
Estabeleça uma relação de amizade com os alunos:
Nesse sentido CHALITA (2005, p.24) afirma que:
Só se consegue estabelecer uma relação de ensino-aprendizagem por meio da dimensão afetiva. Pode-se passar informações de várias maneiras mas, para educar, é preciso afeto. O aluno tem que se sentir valorizado. E isso acontece nos pequenos gestos. É o professor chamar o aluno pelo nome, olhar para ele, saber ouví-lo e, acima de tudo, respeitar o que ele traz de conhecimento. Ele é detentor de conhecimentos e tem uma história que o professor deve levar em conta. Isso é afeto. Afeto não é lamber, é mostrar ao outro que ele é importante.
Tenha autoridade (não autoritarismo) no sentido de dominar o conteúdo que está trabalhando e na exigência do respeito, da responsabilidade e no cumprimento das regras disciplinares; - Saiba colocar limites aos alunos, não sendo autoritário, mas também não deixando fazer o que querem na hora em que bem entendem, pois assim gerase a indisciplina; - Trabalhe com a formação de hábitos, atitudes de solidariedade e cooperação entre os alunos e professores; - Saiba fazer as cobranças com serenidade e firmeza; - Trabalhe os conteúdos de forma que os mesmos se tornem interessantes, adaptando-os à realidade dos alunos, de forma que estes venham a atender suas necessidades, motivações, expectativas, medos e anseios; - Seja um profissional de bem com a vida, alegre, contente, feliz, passando aos alunos esses sentimentos positivos; - Trate os alunos com carinho e amor, pois, como diz PIRES(1997,p.84), “Todos necessitamos amar e ser amados!... O amor faz parte da cultura de todos os 9 povos! Aprendemos e ensinamos a amar!” - Não obtenha a disciplina dos alunos através do autoritarismo, da imposição, do “grito”, pois essa é um tipo de disciplina na qual o aluno fica quieto, por medo do professor e não porque a aula está interessante ou porque demonstra respeito por ele; - Saiba usar a inteligência a seu favor no sentido de melhorar suas condições de trabalho, seu relacionamento com os alunos e sua vida em geral. Nesse sentido faz-se necessário que os gestores escolares tornem-se agentes de transformação da escola, tornando-a uma instituição séria, comprometida , qualificada que propicie o crescimento dos educandos, respeitando suas diferenças individuais, potencialidades e escolhas, orientando-os conscientemente na elaboração e cumprimento das regras da sala de aula e da escola como um todo, na busca de um trabalho coletivo, responsável e competente que oportunize à todos condições favoráveis ao processo ensino-aprendizagem, bem como acompanhando todos os momentos do processo educativo, auxiliando no sentido de transformação social e com isso avançando no processo da construção coletiva do conhecimento e das regras disciplinares a serem seguidas valorizando, ampliando e dialetizando os diferentes saberes do aluno. Acredita-se que a obtenção da disciplina na sala de aula e na escola como um todo não é tarefa única e exclusiva do professor, mas de cada segmento da comunidade escolar e da sociedade, as quais devem desempenhar de forma eficiente seu papel na construção de um disciplina consciente e desejada.
VASCONCELLOS(1996,P. 08) apresenta de forma sintética algumas possibilidades de os diferentes agentes contribuírem para construção da disciplina em sala de aula e na escola:
Sociedade
Democracia econômica: novas formas de organizar o trabalho, justiça social
Nova ética
Nova política para os Meios de Comunicação Social
Valorização efetiva da educação e de seus profissionais.
Família:
Resgate do diálogo;
Estabelecer e cumprir limites;
Valorizar a escola e os professores;
Participar da vida da escola;
Resolver os eventuais conflitos diretamente com a escola.
Aluno:
Organizar-se , participar da vida da escola;
Assumir o estudo como trabalho
Sociedade:
Democracia econômica: novas formas de organizar o trabalho, justiça social
Nova ética
Nova política para os Meios de Comunicação Social
Valorização efetiva da educação e de seus profissionais
Família:
Resgate do diálogo
Estabelecer e cumprir limites
Valorizar a escola e os professores
Participar da vida da escola
Resolver os eventuais conflitos diretamente com a escola
Aluno:
Organizar-se , participar da vida da escola
Assumir o estudo como trabalho;
Desse modo, para se obter uma disciplina consciente é necessário que todos assumam sua parte, ajudem-se uns aos outros e desempenhem com eficiência o que lhes compete. Enfim “a construção da disciplina é tarefa de todos’.
Rosilãne de Lourenço Lorenzoni
Fonte: ufsm.br

COMO EDUCAR O JOVEM DE HOJE?

por: Claudia Maria de Moura Roque

Família e escola participativam de forma colaborativa
Família e escola participativam de forma colaborativa
O jovem atual é ao mesmo tempo generoso e egoísta, aberto aos problemas mundiais, mas intolerante na defesa de seus próprios direitos de opiniões, sem falarem obrigações. Tremendamente ativo, mas com pouca originalidade. Crítico da sociedade e dos costumes herdados e vítima das mais primitivas técnicas de propaganda. Inseguro e autoconfiante. Então, qual o papel dos educadores frente a esse jovem angustiado e ansioso por segurança e auto realização, a se realizar pessoal, social e espiritualmente no mundo complexo e Conturbado de hoje?

Pode-se dizer que há certa urgência em oferecer-lhe segurança. Urge ajudá-lo a compreender que é através do desenvolvimento de suas capacidades pessoais e da colaboração uns com os outros que ele se realizará como ser humano. E, esses objetivos só se alcançam através de uma educação adequada, pois, não pode haver educação se não existirem valores.

O fato de a família encaminhar seus filhos à escola, não a exime de sua função primordial de educadora. Antes a amplia. Através da escola, a família participativa colabora, não só atenuando os problemas de seus próprios filhos, mas também nos dos outros. Pais que entregam os filhos à escola, pensando que cumpriram sua obrigação, não entendem o que seja educação.

Numa época em que se põe em dúvida a existência e a vitalidade da escola, e em que a própria família é colocada em cheque, tanto do ponto de vista prático, através da desagregação seja por separação, divórcio, causas sociais e econômicas, é muito importante considerar a função do professor, como elemento humano, no processo da educação. Podendo acrescentar ainda, que talvez o próprio professor esteja se escolarizando, acionando menos  sua função principal, de transmitir conteúdos e conhecimentos apenas, mas participando ativamente no processo de crescimento e desenvolvimento pessoal e social, tanto do educando, como de si mesmo. Além da função socializadora, isto é, estritamente educativa, o que os pais não podem oferecer na família, por falta de preparo, tempo ou outras razões, é ele o professor - quem o faz, ensinando e ajudando o educando a aprender uma porção de coisas úteis e necessárias para a vida.

Há necessidade que os “gestores” sejam pontuais na aplicação, fundamental e funcional específica da educação, tendo como objetivo a realização plena do ser humano, em todos os seus aspectos, para que seja feliz pessoalmente e contribua para a felicidade dos outros.

Fonte:
Texto adaptado de SCHIMITZ, Egídio Francisco (1982), e AEBLI, Hans (1978).


Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado 
http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/49087/como-educar-o-jovem-de-hoje#ixzz2hBF4VaS1

Como Educar nos dias de hoje?

:: Sirley Bittú :: 
Educar é um assunto corrente em consultório de psicologia. A necessidade de colocar limites é sempre muito questionada, tanto pelos filhos como entre os novos e dedicados pais. Muitas pessoas viveram em sua própria educação a experiência de duros limites, constituídos em regras e proibições. Autoridade era misturada com Autoritarismo, a sabedoria da maturidade era confundida com verdade absoluta. Exigia-se da criança, do adolescente e mesmo dos adultos, total submissão e resignação; ser uma criança boazinha era sinônimo de atender as regras, jamais ser espontânea e nunca criar ou questionar algo; a liberdade em expressar suas idéias e pontos de vista confundia-se com enfrentamento e desrespeito aos mais velhos.

É claro que esse modelo de educação trouxe muitos problemas e resultou em muitos adultos inseguros e até mesmo revoltados. Neste quadro surge uma postura defendida pelos psicólogos e estudantes do comportamento humano que talvez não tenha sido suficientemente entendida. A proposta era possibilitar a livre expressão dos potenciais e da espontaneidade infantil, como até hoje defendemos. Respeitar a criança em seus desejos e necessidades esperadas para a idade, por exemplo, a curiosidade perante o novo, a inesgotável energia de vida, sua necessidade de brindar para entender o mundo e etc... Mas para alguns pais essa proposta foi confundida com a total permissividade, a educação do tudo pode, perdendo o entendimento da palavra não, do limite e do respeito.

Nascemos totalmente espontâneos e criativos e com o decorrer do desenvolvimento através da educação aprendemos como usar nossos potenciais adequadamente, ou seja, respeitando as regras para viver socialmente. É também neste processo que aprendemos a acreditar ou não nesses potenciais. Nossas atitudes e comportamentos são o tempo todo avaliados e confirmados ou não, pelas pessoas com quem nos relacionamos e principalmente pelos nossos pais. É desta aprovação que surge a sensação de segurança interna que todos possuímos em maior ou menor quantidade, e também nossa auto-estima. É claro que para os pais não é uma tarefa fácil, pois implica em ter uma noção clara do que é ser adequado, o que depende de sua maturidade emocional.

Há 40 anos atrás questionar uma ordem paterna, por mais absurda que ela fosse era praticamente um crime, castigável sem sombra de dúvida, com diversas formas de agressão tanto físicas como emocionais. Hoje em dia o questionamento já começa a ser entendido como algo positivo, pois ao trazer questionamentos novos a questões antigas aumentam-se as possibilidades de criar e descobrem-se novas formas de existir. O conhecimento deixa de ser percebido como uma conserva cultural e passa a ser percebido como algo dinâmico e em constante transformação e renovação.

Mas como oferecer liberdade sem tornar a sociedade um caos?

Introduzindo as noções de responsabilidade e respeito. Quando falamos em liberdade, falamos em respeito ao outro e em respeito a si mesmo, caso contrário estamos falando em invasão, e em desrespeito. Para convivermos em sociedade precisamos de algo que nos auxilie a lidar com as diferenças entre as pessoas, suas particularidades na sua forma de existir e de entender o mundo, pois apesar de sermos todos humanos, e similares em nossas necessidades, a forma de expressar nossos desejos difere de um para o outro, pois se relaciona ao grau de maturidade de cada um.

É como se todos nós usássemos óculos relacionais, onde as lentes são forjadas durante a aprendizagem emocional, por crenças, valores e pontos de vista. Isto se explica por termos potenciais inatos que são influenciados pelo meio social em qual nos desenvolvemos. Esta delicada alquimia é responsável pelos diferentes tipos de pessoas em que nos tornamos. Portanto para vivermos socialmente necessitamos de alguns parâmetros, que se traduzem nas noções de ética, cidadania, gratidão e senso moral. Desta forma, quando pensamos em educar, precisamos checar dentro de nós como nos posicionamos em relação a isto e como esses parâmetros estão sendo exercitados nas relações que desenvolvemos.

A educação se constitui basicamente em aquilo que dizemos, confrontados pelo que fazemos. Ou seja, se pregamos o respeito mútuo e a honestidade, mas no dia-a-dia, valorizamos o esperto, aquele que sempre se dá bem, estamos sendo incoerentes e certamente essa incoerência fará parte de nosso rol de ensinamentos, seja de forma consciente ou inconsciente.

O catalisador necessário ao processo de educação é o amor. Este gera a segurança interna, a confiança e a respeitabilidade, ingredientes indispensáveis para que a relação de intimidade necessária num processo de educação possa se estabelecer. Educar implica em intimidade, e você só ensina algo se é autorizado pelo outro, com esta autorização que se dá pela confiança que nasce nas relações onde o amor e a amizade são as palavras de ordem.

Muitos pais se referem frequentemente às dificuldades em colocar limites, confusos entre cercear demais ou de menos. Esta dificuldade nasce de uma forma de entender o amor muitas vezes equivocada, onde se confunde limite com abandono e desamor, e consequentemente amar torna-se sinônimo de total permissividade, com a antítese do nada pode passando a ser o pode-se tudo.

Colocar limites é ensinar que existe a frustração, que apesar de desagradável, faz parte do mudo real, ao vivo e a cores. O limite nos ajuda a perceber quem somos, o respeito nos ensina que temos limites e aumenta nossa consciência pessoal, e a responsabilidade nos ensina que tudo tem seu preço, pois estamos sempre em relações de troca, colhendo aquilo que semeamos. Oferecendo amor certamente colheremos alegria e felicidade. Para exercer o papel de educador, precisamos reavaliar o entendimento do "não", para esta importante palavra não se transformar numa forma de tirania e sim uma forma de proteção, exercício do amor e respeito a quem amamos. 

“FAMÍLIA E ESCOLA: EDUCAR PELO EXEMPLO”

09 de Outubro, Sábado, de 2010

APRESENTAÇÃO
É muito antiga a referência do pensamento pedagógico ao papel do exemplo como principal caminho da acção educativa. No “exemplo de vida” vai o testemunho da coerência entre o que se diz e o que se faz, entre o pensamento, as palavras e a acção, entre os valores admitidos e os compromissos realizados, entre a teoria e a prática. Por isso o exemplo é tão convincente e tão imprescindível em toda a acção verdadeiramente educativa, sobretudo nas instâncias educativas por excelência, na família e na escola.
Mas, tal como acontece com os outros modelos da praxis humana, também o paradigma da “educação pelo exemplo” parece ter entrado em crise: relativizou-se e é contestado o seu valor pedagógico. Mimético, repetitivo, inautêntico, tradicionalista, massificador…são alguns dos epítetos da crítica, invocando-se a pretensão da autonomia dos processos de experiência criativa “por conta, forma e risco” do educando. Por outro lado, aponta-se o dedo, quer aos educadores quer às próprias instituições, pela falta de coerência de uns e de outros: como poderão os jovens motivarem-se para a beleza de certos ideais, quando estes são tristemente denegados pelas opções de vida dos seus educadores, familiares e docentes? Como poderão os jovens acertar o passo com o seu futuro, quando a família e a escola, os pais e os professores se contraditam nos modelos e valores educacionais, falam linguagens diferentes e têm perspectivas contrapostas quanto ao sentido da vida?
Não basta, pois, apregoar em abstracto o valor do exemplo, mas é preciso reequacionar o seu significado, as condições sociais e psico-pedagógicas da sua praticabilidade, analisar métodos que possibilitem a constituição de autênticas comunidades educativas, assentes no diálogo e na partilha dos exemplos, e sobretudo, reflectir sobre os seus referenciais éticos e antropológicos.
As Jornadas de Pedagogia/2010 da FacFil propõem-se contribuir para o debate e o esclarecimento destas questões, com a certeza de que sem um trabalho de aturada fundamentação crítica é o próprio bem do filho/educando que fica em causa. E sobretudo, mostrar como é urgente contrariarmos a “lógica” do Frei Tomás e assumirmos o risco de, como educadores, sermos os primeiros a fazer para que os educandos também façam. Não foi esta pedagogia, na sua mais contundente exemplaridade, que Jesus Cristo praticou? Não amou Ele primeiro e depois mandou que nos amemos?

sábado, 5 de outubro de 2013

Educação inclusiva

“[...] é difícil dizer se ser professor, na atualidade, é mais complexo do que foi no passado, porque a profissão docente sempre foi de grande complexidade. Hoje, os professores têm que lidar não só com alguns saberes, como era no passado, mas também com a tecnologia e com a complexidade social, o que não existia no passado. Isto é, quando todos os estudantes vão para a escola, de todos os grupos sociais, dos mais pobres aos ricos, de todas as raças e todas as etnias, quando toda essa gente está dentro da escola e quando se consegue cumprir, de algum modo, esse desígnio histórico da escola para todos, ao mesmo tempo, também, a escola atinge uma enorme complexidade que não existia no passado.” (NÓVOA, 2001, não paginado).